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É hora de mudar

O mercado de desenvolvimento de softwares anda bastante aquecido, logo temos uma grande demanda de sistemas em desenvolvimento e a serem desenvolvidos. O que ocorre é que temos muitas tecnologias novas no mercado, e muitas outras ainda virão, porém temos um sério problema relacionado ao sucesso do projeto. Quando eu falo sucesso, me refiro a entregar no prazo previsto (ou muito próximo disso, visto que é uma previsão), dentro dos custos previamente definidos e o mais importante, entregar algo que realmente será usado.

O último item parece um pouco sem sentido, porque “como vou entregar algo que não será usado?”. A realidade é que isso ocorre com muita frequência, muita mesmo. Esse problema tem várias causas, como disse no início deste texto, as tecnologias mudaram e mudarão muito, mas a forma com que são utilizadas, permaneceu praticamente imutável.  Muitas empresas adquirem novas ferramentas apenas para transmitir a ideia de que trabalham com a última versão do “martelo”. Um amigo meu costuma usar a expressão “Martelada Design”, que não deixa de ser o mesmo que XGH (Extreme Go Horse). Claro que não podemos generalizar todo esse contexto, pois existem muitas empresas preocupadas em entregar valor para seus clientes, porém uma grande fatia do mercado ainda é assim.

Obter sucesso em um projeto de software significa atender a três critérios principais como mostra o triângulo abaixo:

Valor para o cliente – significa entregar algo que realmente será útil para ele, algo que fará diferença no seu negócio, que traga resultados para o cliente, e não algo que seja usado parcialmente, ou quase nunca;

Prazo: é necessário estabelecer datas que possam ser cumpridas para o início e fim do projeto. Hoje podemos acompanhar muitos projetos nascerem com atraso já, se começam com atraso, imagina a entrega, e isso não é exceção;

Orçamento Previsto: um projeto demanda recursos, que podem ser instalações, equipamentos, treinamentos, viagens, consultoria externa etc. É comum os projetos ultrapassarem os valores iniciais previstos, inclusive, às vezes gerando prejuízo para a empresa desenvolvedora.

Claramente podemos ver que as três pontas do triângulo estão fortemente relacionadas. Qualquer alteração em uma delas implicará claramente nas outras duas, o triângulo tem que ser flexível, ele não pode ser rígido (ou seja, adaptar o andamento do projeto e seus custos, de acordo com o contexto atual, e não em algo definido no passado). Muitas empresas não avaliam essa relação, por isso é grande o número de projetos com inúmeras falhas.

De acordo com um estudo do Standish Group, de 1994 até 2006 obtivemos uma melhora na entrega com sucesso dos nossos projetos, porém depois houve uma queda até 2009. A tabela abaixo mostra essa situação.

Acontece que o principal fator de sucesso de um projeto não é a tecnologia utilizada e sim os 2 P´s do sucesso. O quesito tecnologia, interfere em fatores como custos do projeto e facilidades extras. Umas são mais produtivas, outras nem tanto, umas exigem um esforço maior para uma atividade e outra pode fazer a mesma coisa com o mínimo de esforço, porém se você já conhece a tecnologia que você utiliza, saberá estimar corretamente (ou pelo menos deveria). Com certeza você conhece grandes projetos utilizados por grandes empresas e que foram desenvolvidos na tecnologia X ou na tecnologia Y.

 

Os 2 P´s que me refiro são: Pessoas e Processos. Esses sim são fatores que determinarão o sucesso ou o fracasso de um projeto. Mais crítico que alterar a tecnologia que uma empresa utiliza, é a mudança de cultura, essa sim, leva tempo, enfrenta resistências, gera muitos descontentamentos, pois fere algumas pessoas. A cultura de uma empresa compreende os processos empregados e o “engajamento” dessas pessoas nos processos, afinal os processos são concebidos pelas pessoas, são elas que detém essa capacidade de gerar, manter e melhorar os processos empregados na empresa.

 

Processos ultrapassados, enrijecidos, ou porque o “gerente bacana” observou que em algum momento obteve sucesso e é assim que deve ser, devem ser revistos sim, o mundo está em constante mudança, quem não se adapta acaba por ficar para trás, isso vale para empresas e colaboradores.

Hoje vimos empresas apenas querendo resultados em cima de resultados, nesse momento que elas querem é uma “aceleração” nos processos, e acreditam que se tudo for mais rápido, obterão melhores resultados. Primeiro, temos que mudar a “fonte” dos resultados, porque se querem resultados diferentes, devem ter ações diferentes, a definição de insanidade de Einsten é: “fazer sempre as mesmas coisas esperando resultados diferentes”.

 

Não chegaremos a um nível ideal de sucesso em nossos projetos se não focarmos nossas mudanças no ponto chave do negócio. As mesmas raízes geram sempre os mesmos frutos.

Referências: Standish Group

Abraços!

 

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